Escambo
Por Saullo Castelo Branco
Muito tem se discutido sobre a “importação” de 6.000 médicos estrangeiros sem a usual validação do diploma. De um lado a classe médica afirma que a vinda desses profissionais sem o devido processo de avaliação, trará prejuízos para a sociedade. Do outro lado a população desassistida aguarda a solução para deficiência na oferta de profissionais.
Seguindo o pensamento do governo federal, venho sugerir a importação de outros profissionais que fazem falta no nosso querido país e mais precisamente à nossa Terra Querida. Começo sugerindo a importação de alguns políticos, usando sempre a fala do ministro Padilha: “...O que nós queremos é profissionais com qualidade...”. Vamos buscar as melhores referência no mercado mundial.
O melhor local para buscarmos políticos seria a Suécia. Lá, prefeitos e governadores não têm residencial oficial. Deputados estaduais e vereadores não recebem salário, e nada de gabinete também. Os apartamentos funcionais são minúsculos e os mesmos não têm empregados. Eles lavam a roupa suja na lavanderia comunitária. Nada de verba de gabinete, nada de motoristas, nada de assessores e nada de secretárias. O Primeiro Ministro arruma a própria casa. Acho que se implantasse esse sistema aqui, teríamos que importar todos.
Para a Prefeitura de Teresina, gostaria que importássemos o ex-prefeito de Nova Iorque, Rudolph Giuliani. Ele implantou a política do “Tolerância Zero” na questão da violência. Hoje, Nova Iorque é uma das mais segura das grandes cidades americanas. Rudy, como ficou conhecido, também priorizou a limpeza de locais públicos como metrô, praças, ruas e cartões postais como Central Park e a Time Square. Aqui, na Verde Cap, lixo de toda espécie se acumulam nas praças. Ali na Praça da Liberdade, em frente ao Karnak, tem um amontoado de entulho que já deu até pé de abóbora.
A educação é a base para todo e qualquer desenvolvimento de verdade, e ela jamais poderia ficar de fora na nossa pauta de importação. Imagino que alguns leitores devem ter pensado: ele vai querer trazer os sul-coreanos que transformaram o país. Nada disso, sugiro a importação do finlandês Pasi Sahlbergs, homem forte do Ministério da Educação do país gelado. Lá, o governo implantou uma reforma no sistema de ensino em que o professor, esse ente abandonado por aqui, é admirado, e o magistério, a profissão mais almejada pelos jovens. Outra chave para o sucesso foi a universalização do acesso à educação e a formação voltada para o mercado de trabalho. E o que Finlândia ganhou com isso? Hoje eles ocupam a terceira colocação no ranking mundial de avaliação de alunos da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico . O senhor Pasi trabalharia diretamente com o professor Antonio Amaral, aquele mesmo de Cocal dos Alves, na criação de uma educação pública de qualidade. Aí sim, estaríamos no caminho certo.
Para nosso turismo, pediríamos a imediata expatriação do pessoal da Disney e dos cassinos de Las Vegas. Os caras transformaram um pântano e um deserto em dois dos maiores e mais ricos destinos turísticos do mundo. Imaginem o que esse pessoal poderia fazer com as Lagoas do Norte, Curva São Paulo, Prainha e Potycabana? Encheríamos os bolsos de dinheiros com as hordas de turistas que invadiriam nossa querida capital.
Como a balança comercial ficaria desequilibrada com tanta importação, o jeito seria exportar todo o nosso excedente político. Começaríamos exportando os nossos suplentes de deputados e suplentes de vereadores, que assumem as vagas e partem para um verdadeiro show de horrores. Depois, poderíamos exportar parte do secretariado estadual e municipal, com suas respectivas entourages, que nunca aparecem nas repartições. Estes suplentes, servem apenas como bucha de canhão do joguete fisiológico do chefe do executivo de plantão, que sempre está no preparo de sua reeleição. Terminaríamos com os fichas sujas, que não são poucos. A dificuldade de encontrar alguém interessado em importa-los seria enorme. Mas isso seria trabalho para os especialistas em comércio e transporte de materiais perigosos vindos diretamente da Rússia e Estados Unidos.
Já ouvi de um grande defensor do mercado livre, que deveríamos trazer também alguns operários de Bangladesh para fazer do Piauí um grande polo têxtil. O incauto sugeriu a implantação de um polo têxtil na região de Assunção do Piauí, alegando que de lá eles não fugiriam nunca, pois ninguém fala nem inglês, imagine o bengali. Disse que pagando um salário de 80 reais sem nenhum encargo adicional os asiáticos trabalhariam 14 horas sem reclamar. Só se alimentando de rato rabudo e aqui acolá um pedacinho de bode seco. Achei que ai já era demais....
Publicado Originalmente no Diário do Povo do Piauí - Número 9.693
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