quinta-feira, 27 de junho de 2013

Gigante Atordoado



Tardou e falhou, essa é a expressão que resume a reação da Presidenta em relação às manifestações que varreram o país nas ultimas semanas.  Primeiro com um pronunciamento vazio e na sequência com a ideia de uma constituinte.

As vozes das ruas pedem um sem fim de coisas, de passe livre ao último episódio de Caverna do Dragão, mas a reivindicação comum é o respeito, e definitivamente não somos um povo muito respeitador.

Tratamos a coisa pública como se não fosse de ninguém, apesar de que o público é de todos. Não respeitamos as leis de trânsitos, não debatemos política, fechamos os olhos e a boca quando vemos uma malfeitoria, votamos por conveniência, não participamos da educação pública entre muitas outras coisas, e de repente queremos que nossos representantes o façam?

A sociedade brasileira mantém o terrível hábito de atribuir todas as mazelas aos políticos, mas de onde vêm esses políticos?  Outros países? Outros planetas? Claro que não, eles são nossa melhor síntese e estão lá porque nós os escolhemos.

Temos com esse movimento, uma oportunidade real de mudar algumas coisas que estão fora do lugar, mas não devemos esquecer que na mudança, a direção é mais importante que a velocidade. Mas o que se percebe é que todos querem pra já essa mudança, seja ela qual for, e aí amigos é que mora o perigo.

Essa proposta de uma constituinte, esconde uma situação de alto risco a nossa democracia. Bolivia e Venezuela são alguns dos países que realizaram tal ato e qual a situação deles ? Tente fazer uma manifestação contrária nesses estados bolivarianos. Pior do que estar pode ficar.

A ideia de um congresso enfraquecido e um judiciário de mãos atadas favorecem aqueles que querem se manter no poder a todo custo e ultimamente temos vistos ataques violentos a essas instituições, partindo da base do governo, sempre que este tem seus interesses contrariados.

Manter os protestos é extremamente necessário, a pressão popular já conquistou algumas batalhas, mas a guerra é longa e como já ficou provado várias vezes, abrir vários fronts é um erro fatal. Um objetivo de cada vez, deve ser a palavra de ordem.

O governo e alguns setores mais conservadores irão tentar de tudo para desviar a atenção da população, tentarão arrefecer esse movimento, fazer com que a classe média perca o interesse nas manifestações, vão fazer o que sabem de melhor: protelar. Vamos ficar atentos, vamos cobrar mais, e principalmente, mudar nossa postura, vamos ser aquilo que esperamos dos nossos governantes.   


Saullo Castelo Branco

Publicado Originalmente no Diário do Povo do Piauí - Número : 9.722

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Existe Amor em THE ?


Por Saullo Castelo Branco 

   O rapper Criolo, atingiu as paradas de sucesso em 2011 com a música Não Existe Amor em SP, com versos que declaram a dureza da maior cidade do país. Mas o que se viu nesse junho de 2013 foi que, existe sim, muito amor em SP. Jovens, idosos, crianças, esquerda, direita, punks, gays, crentes e descrentes lado a lado, pedindo e lutando por uma cidade e um país melhor. Até mesmo os atos de violência, não deixam de ser uma prova de amor.
  Teresina também ama, e isso ficou claro ontem na Manifestação que ocorreu na avenida Frei Serafim. Muita gente saiu do trabalho, de casa, da academia, das escolas, com o objetivo de mostrar suas insatisfações e pedir por uma cidade, estado e país melhor.
   O otimismo não é uma das minhas virtudes, mas esse sentimento que despertou boa parte do país, já começa a surtir efeito, as passagens de ônibus já começaram a reduzir ou tiveram seu aumento cancelado. E isso só o começo.
   Semana passada, esbocei um texto criticando essa juventude, que na Caminhada da Fraternidade eles “botavam Fé”. Fiz um paralelo com a juventude Turca e até mesmo com juventude brasileira de algumas décadas atrás. Para minha surpresa, uma semana depois, cá estou, botando muita fé nessa juventude. A geração Y mostrando que não vive apenas nas redes sociais, prova o gosto de fazer a diferença.
   Pudemos assistir a grande mídia, essa senhora velha e gorda, ficar desnorteada com os acontecimentos, criticar e desqualificar o movimento, mudar de opinião e por fim pegar carona com medo de perder o bonde da história.
  Na década de 60, sob os anos de chumbo, o poeta Eduardo Alves da Costa, escreveu No Caminho com Maiakovski, esse poema que deixa bem claro a importância de valorizar as pequenas coisas, que os 20 centavos fazem sim a diferença, e que um dia quando nos perguntarmos por que chegamos a esse ponto, a resposta pode ser bem dura.
"[...]
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

[...]" 

sexta-feira, 14 de junho de 2013

#bookdodia

#bookdodia em homenagem ao aniversariante e incentivador deste Blog
O Encomendador de Almas
Danilo Damásio



quinta-feira, 13 de junho de 2013

O Dia Dela



Saullo Castelo Branco

    Hoje é o dia dela, a amante, a filial, aquela que não tem nome, que pode ser um pronome indefinido ou um substantivo: Outra. Essa figura tão importante, cantada diversas vezes, responsáveis por revoluções, mas que fica relegada às notas de rodapés dos relacionamentos.
    Muitos consideram que a outra tem a melhor das vidas, que tem o melhor dos maridos, que não sofre com a reclamações rotineiras, que não se preocupa com o bem estar da família. Ledo engano, essa pobre coitada, vive em segundo plano, não tem direito a dia dos namoradas, natal, réveillon , dia das mães, e nunca teve um dia reservado no calendário a sua pessoa.
  As amantes sempre tiveram papel fundamental na história ocidental, Servilia Caepionis foi amante de Júlio Cesar e teve grande influência sobre o império romano, mas ficou marcada nas páginas policiais da época, seu filho Brutus assassinou Júlio Cesar.
  O Brasil império assistiu a estória de amor de Dom Pedro I com sua amante Domitila de Castro. A marquesa de Santos, almejava ser a matriz do mulherengo imperador, mas mesmo após a morte da Imperatriz Leopoldina, Dom Pedro não a assumiu e casou –se com Amélia de Leuchtenberg, que exigiu em contrato o banimento da marquesa do império, causando o fim do tórrido romance que escandalizava a sociedade da época.
 O casal queridinho da América, Jonh e Jacqueline Kennedy, tiverem entre eles a presença de Marylin Monroe, que de certa forma ajudou a projetar a fama de gala de JFK, Marylin se tornou obcecada pelo presidente, pena que esse romance para ele não passava de mais uma aventura. O resultado dessa mistura explosiva todos sabemos, A loira afundou-se em remédios e álcool morrendo de overdose, sozinha, em casa.
Assim como essas mulheres famosas, muitas anônimas, dedicam o melhor da sua juventude aos seus homens, oferecem o conforto da alcova, guardam segredos e estão sempre a esperar o dia que em que se tornarão a matriz. As verdadeiras mártires do amor bandido, da vida dupla. Sendo um dos pilares da sociedade.

  Nada mais justo que hoje, dia 13 de junho, dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro, padroeiro dos fracos e oprimidos, dos solitários viajantes e marinheiros, seja decretado o dia dela, O Dia da Amante.


Facebook: www.facebook.com/copobaixo 

Publicado Originalmente no Diário do Povo do Piauí - Número 9.708

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Por que o Neymar ?



Saullo Castelo Branco

Não se fala em outra em coisa! - reclama na sala de espera do médico uma senhora, ao ver no noticiário mais uma matéria sobre a transferência do Neymar por aproximadamente 150 milhões de reais. E realmente não se fala em outra coisa! Mas o que era pra ser uma boa notícia, se torna motivo de chateação pra boa parte da classe média brasileira.

Nossa classe média ama odiar o ex-santista. Chamam o rapaz de mascarado, cai cai, marketeiro, pipoqueiro e toda sorte de adjetivos pejorativos. O problema é que não gostamos de ver ninguém crescendo por mérito próprio, pelo seu esforço e obstinação. E quando essa pessoa vem lá de baixo e passa direto por nós indo habitar o panteão dos muitos ricos essa insatisfação é ainda maior.

Nós somos quase uma espécie, os Classis Mediuns Recalquins, e como todas as espécies, temos nossos mecanismos de defesas. Um deles é justamente a não aceitação de indivíduos vindos de outra camada social. Não queremos pobres nas agências bancárias nos finais de semana, não aceitamos que os aeroportos estejam tomados por gente feia, não queremos nosso trânsito povoado por motocicletas e nem que as babás e empregadas tenham salários dignos e pior ainda, nos adicione no Facebook.

Não seria diferente com o moleque que joga bola e treina com dedicação desde a infância, o rapaz franzino que ousou acreditar e batalhar pelo seu sonho: jogar futebol no Barcelona. Esse garoto não sonhava com uma sinecura, não queria o conforto do funcionalismo público, as férias, as indicações políticas, um contratinho camarada com alguma secretaria. Não, ele queria jogar bola e por mais coletivo que seja o futebol, o mérito individual se sobressai e o craque é reconhecido. Isso é demais pra gente!

Há algum tempo um jovem futebolista brasileiro também despontou e arrebatou um contrato milionário com um time estrangeiro, mas não ouve tanta gritaria. Claro! O jogador Kaká tinha tudo que a classe média ama: branquinho, sorriso Colgate, religioso, bom moço e educado. O típico rapazinho que os pais desejam para suas filhas.

Neymar Junior chegou, conquistou seu espaço, comprou brincos de ouro e diamante, carros importados, iates, assinou vários contratos e aos 21 anos de idade realizou o seu grande sonho. Assim como o aquela senhora na sala de espera, não aceitamos que alguém acredite, trabalhe, conquiste e por fim mereça.

Vai Neymar, realize seus sonhos, seja motivo de inspiração para milhares de meninos, mostre que o trabalho vence o marasmo e deixe a classe média ainda mais insatisfeita, porque é assim, insatisfeitos e amargurados, que gostamos de viver.

Publicado Originalmente no Diario do Povo do Piauí -Número 9.701

terça-feira, 4 de junho de 2013