O rapper Criolo, atingiu as paradas de sucesso em 2011 com a música Não
Existe Amor em SP, com versos que declaram a dureza da maior cidade do país.
Mas o que se viu nesse junho de 2013 foi que, existe sim, muito amor em SP. Jovens,
idosos, crianças, esquerda, direita, punks, gays, crentes e descrentes lado a
lado, pedindo e lutando por uma cidade e um país melhor. Até mesmo os atos de
violência, não deixam de ser uma prova de amor.
Teresina também ama, e isso ficou claro ontem na Manifestação que
ocorreu na avenida Frei Serafim. Muita gente saiu do trabalho, de casa, da
academia, das escolas, com o objetivo de mostrar suas insatisfações e pedir por
uma cidade, estado e país melhor.
O otimismo não é uma das minhas virtudes, mas esse sentimento que
despertou boa parte do país, já começa a surtir efeito, as passagens de ônibus
já começaram a reduzir ou tiveram seu aumento cancelado. E isso só o
começo.
Semana passada, esbocei um texto criticando
essa juventude, que na Caminhada da Fraternidade eles “botavam Fé”. Fiz um
paralelo com a juventude Turca e até mesmo com juventude brasileira de algumas
décadas atrás. Para minha surpresa, uma semana depois, cá estou, botando muita
fé nessa juventude. A geração Y mostrando que não vive apenas nas redes
sociais, prova o gosto de fazer a diferença.
Pudemos assistir a grande mídia, essa
senhora velha e gorda, ficar desnorteada com os acontecimentos, criticar e
desqualificar o movimento, mudar de opinião e por fim pegar carona com medo de
perder o bonde da história.
Na década de 60, sob os anos de chumbo, o
poeta Eduardo Alves da Costa, escreveu No Caminho com Maiakovski, esse poema que
deixa bem claro a importância de valorizar as pequenas coisas, que os 20
centavos fazem sim a diferença, e que um dia quando nos perguntarmos por que
chegamos a esse ponto, a resposta pode ser bem dura.
"[...]
Na primeira noite eles se
aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
[...]"
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